Meus estudos em cinema e a necessidade de um professor levaram-me a uma nova oportunidade de aprender uma habilidade: edição de vídeo. Neste post registrarei meus progressos em tal área.
#ATO 1
Estou eu em um grupo de estudos sobre a ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso) e o nosso professor perguntou sobre quem se disponibilizaria para fazer alguns cortes e um tratamentozinho de áudio na primeira aula. Eu, que nunca editei, disse para ele e clamei para mim: “Eu consigo fazer”.
Baixei os arquivos da aula. Instalei o Premiere Pro e depois de abrir ele duas vezes, os painéis começaram a bugar, fiquei puto e decidi não usá-lo mais. Eis que surge o maravilhoso DaVinci Resolve, com sua fluidez, sua mesa de cortes digital, sua forma de ordenar as etapas, etc.
Fiz uns cortes aqui e acolá. Com a página de áudio, fiz um tratamento de áudio nas falas do professor e dos alunos, equalizando, eliminando ruídos, elevando a clareza, etc.
Final: editei meu primeiro vídeo. Gostei do resultado e ainda mais do processo de cria-lo.
#ATO 2
O problema agora era como aprender. Já tinha fuçado uma ferramenta e produzido algo. Legal. Mas perguntei-me quais são os primeiros princípios da edição de vídeo. A ideia de primeiros princípios é bem interessante, inclusive. Basicamente, seria “garimpar” um processo ou assunto até encontrar suas partes fundamentais, seus blocos irredutíveis. Por qual motivo fazer isso? Simples. Sabendo os primeiros princípios de algo, posso montar e desmontar este algo de várias formas diferentes, no entanto, a base permanece a mesma. A base é meu ponto de apoio. Como Arquimedes disse:
“Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio, e moverei o mundo.”
Os princípios fundamentais formam a base. Penso em como o átomo, que é a unidade fundamental da matéria, manifesta-se de milhares e milhares de formas. Remontando, ele estará no começo. Essa é a ideia.
Okay, chega de explanações. Ao editar a aula do meu professor, entendi intuitivamente um dos primeiros princípios da edição de vídeo: o cut. Aí fui para o *hole *da internet e encontrei um livro do Walter Murch, editor dos filmes Apocalipse Now e O Poderoso Chefão, chamado In The Blink of An Eye. Ali, o Murch desdobra sua filosofia de corte. Ainda estou lendo, mas, porra, uma filosofia de critérios para o *cut *é sensacional, é lindo. A tese dele é de que o cut imita o mecanismo cognitivo do piscar de olhos, por isso o nome do livro. Que ideia mais sensível!
Murch, que nesse livro fala da diferença entre edição mecânica e edição digital, lembrou-me do filme “The Fabelmans”, um semiautobiográfico do Spielberg. Tem várias cenas do Sammy (protagonista) editando numa mesa de cortes, e que trabalheira! Era necessário analisar a fita quadro a quadro, fazer um corte manual com lâmina, emendar as partes e então rebobinar tudo novamente.
Bom, daqui uns dias termino o livro. Agora o mundo da edição de vídeo tornou-se colorido, amplo e totalmente diferente do que eu imaginava.