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A arte e a vida

Penso que a arte não existe sem a vida. Se o contrário é verdadeiro, é uma questão mais complexa a qual não vou debruçar-me. No entanto, não é possível que a vida imite a arte, já que esta encontrou seu material naquilo que está na realidade. Croce diz que a arte é uma expressão de uma impressão e também aquilo que todo mundo sabe o que é. Alguém disse: “Ars longa, vita breve” — a arte é longa, a vida é breve. E isto porque toda a história da arte não é capaz de abarcar uma simples vida humana. A arte é como uma rede de pesca. Se tenta capturar todos os peixes, abarrota e rasga. Dessa forma, a arte utiliza-se de parcimônia para com a vida. Há na contemplação desta uma plenitude que não pode ser completamente retratada. Utilizo o termo “retratada” para puxar uma referência ao conto “O retrato oval” de Edgar Alan Poe, que mostra o que acontece nessa tentativa de tomar a vida totalmente pela via artística: a morte.